Simplicidade e Autenticidade. Um passo para agradar o perfeccionismo
Palavra assustadora, não? Pois é, perfeccionismo é uma palavra que me incomoda, mas tento acompanhá-la constantemente. Pois toda vez que vou fazer alguma coisa, seja ela tocar um instrumento ou lavar a louça suja, tento fazer de tal maneira que fique perfeito aos meus olhos. Mas eu gostaria de tratar essa palavra hoje, trazendo-a para o contexto musical.
Há muito tempo venho me cobrando a buscar a excelência quando toco contra-baixo, e muitas vezes por essa cobrança, nervosismo de querer fazer tudo certinho, eu acabo indo afoito para tocar, como conseqüência sempre há alguma coisa que não fica do meu agrado. Por conta disso aprendi algo que pra mim tem sido de extrema importância e relevância, aprendi que devo tocar com calma, poder sentir o que a música pede, poder sentir o que os outros instrumentos pedem do contra-baixo, e tem me feito crescer musicalmente.
Hoje um grande problema que enfrentamos em bandas, equipes de louvor, corais, etc. tem muita gente, querendo fazer coisa demais, deixando a música “SUJA”, parece que a pessoa vai tocar sendo seu “último momento de vida”, e toca mil notas em um acorde de Dó Maior na posição fundamental sem sétima e nona, muitas vezes não sabendo respeitar o “clima” da música. O que tenho percebido ultimamente, é que precisamos ser simples e práticos, a simplicidade acompanhada de um toque de perfeccionismo e uma dose de assertividade, é o que o músico precisa. Devemos sim estudar todas as escalas, todos os modos, todas as alterações e modulações, e etc., mas temos que ter a capacidade e a sensibilidade de saber o que fazer, aonde fazer e quando fazer. Para que o seu som seja captado pelas pessoas que estão te ouvindo tocar ou cantar naquele momento dando a possibilidade para elas refletirem no que você esta “falando” através do instrumento utilizado.
Fiquei muito feliz, pois a alguns dias atrás toquei em um determinado local onde haviam VÁRIOS músicos profissionais (se não todos), e tive que tocar uma música apenas entre tantas que foram tocadas. E logo após acabar a apresentação musical daquela noite, um músico muito educado veio até mim e me parabenizou pela simplicidade e autenticidade ao tocar Contra-baixo, as palavras dele: “cara, muito bom, hoje em dia os baixistas ficam só querendo encher a música de notas, dando muita dedada, mas poxa, o som que você tirou hoje foi muito bom, um som limpo, agradável, onde agente não espera nada e de repente do nada aparece o baixo, esse é o diferencial dos bons músicos de hoje.”
Com esse elogio fiquei mais motivado para continuar nessa árdua caminhada rumo a perfeição, a homogeneidade com os outros instrumentos que compõem a música. Sendo assim, se serve de conselho, procure limpar o seu som, deixá-lo entendível aos ouvintes. Seja simples, prático, autêntico, pró-ativo e humilde, pois quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado.